quarta-feira, 11 de junho de 2025

CARNAIBA- Diretoria de cultura cria espaço destinado a pessoas portadoras de deficiências





 Iniciativas pioneiras garantem mais dignidade e participação para quem antes era excluído das celebrações tradicionais.

O som do forró, o cheiro de milho cozido e o brilho dos fogos são marcas registradas das festas juninas em todo o Brasil. Mas para milhares de pessoas com deficiência, esses momentos de alegria sempre vieram acompanhados de barreiras físicas e sociais. Agora, uma nova onda de conscientização está mudando essa realidade: municípios e produtores de eventos estão criando espaços acessíveis dedicados a garantir que pessoas com deficiência (PCDs) também possam aproveitar com segurança e dignidade as festividades.

Nos últimos anos, cidades do interior de Pernambuco, Bahia e Paraíba passaram a reservar áreas específicas com rampas de acesso, banheiros adaptados, sinalização em braile e espaços com visibilidade privilegiada para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Em algumas festas, como o São João de Caruaru e o de Campina Grande, intérpretes de Libras passaram a acompanhar os shows, traduzindo em tempo real para o público com deficiência auditiva.

"É mais do que uma questão de acessibilidade. É uma questão de pertencimento. As pessoas com deficiência têm o direito de curtir, dançar, cantar e celebrar como qualquer outra", destaca Patrícia Moura, coordenadora de políticas públicas para inclusão em Pernambuco.

A professora Joselma Ferreira, mãe de um jovem autista, celebrou a criação de uma "área sensorial" durante o São João de Arcoverde. "Meu filho nunca aguentava ficar no meio da multidão. Esse espaço mais calmo, com fones de ouvido e luzes suaves, permitiu que ele ficasse até o final da festa pela primeira vez."

Entre as principais adaptações que vêm sendo implementadas estão:

  • Plataformas elevadas para cadeirantes;

  • Intérpretes de Libras nos palcos principais;

  • Espaços de descanso com isolamento sonoro para pessoas com sensibilidade sensorial;

  • Banheiros químicos adaptados;

  • Equipes de apoio especializadas para auxiliar na locomoção;

  • Informações em braile nos principais pontos de acesso.

As medidas fazem parte de um esforço crescente para tornar as festas populares mais inclusivas, respeitando a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), que determina a obrigatoriedade de acessibilidade em espaços públicos e privados de uso coletivo.

A expectativa é que, com o sucesso dessas iniciativas, mais cidades adotem práticas semelhantes não só durante o São João, mas também em festas de Natal, carnaval, exposições e festivais religiosos.

Porque a alegria do povo só é completa quando todos podem participar.

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